quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

MITOLOGIA GRECO-ROMANA PARTE I

                          

Os gregos e os romanos construíram diversos templos para seus deuses, locais em que faziam orações e rituais, entre que se incluíam sacrifícios de animais. Os deuses gregos eram semelhantes aos deuses romanos. Mas alguns deuses romanos possuem diferença significativas com relação aos deuses gregos. Na religião grega, os nomes são em grego. Na religião romana, os nomes são em latim.
A mitologia greco-romana se originou da junção das religiões grega e romana. As duas se fundiram por apresentarem aspectos semelhantes; as suas tradições, por exemplo. Com isso, deu origem a uma vasta série de entidades lendárias e mitológicas, nas quais se encontram os deuses. Poetas como Homero narravam as histórias dos deuses e os apresentavam como pessoas humanas, mas que continham poderes além dos seres humanos, interligados à natureza. Por isso o poder em mover mares, enviar raios, tempestades, entre outros.
A mitologia tornou-se única entre os dois povos – gregos e romanos. O que difere uma da outra são os nomes dos deuses. Na religião grega, os nomes são gregos e na religião romana, a nomenclatura aparece em latim. Por exemplo Júpiter e Zeus, que é o mesmo deus, governante do Monte Olimpo, mas chamados diferentemente, o primeiro é como os romanos denominam e o segundo como os gregos chamam.
As divindades eram consideradas os senhores da natureza, cujas forças eram regidas por fenômenos naturais e seus físicos se baseavam no modelo humano. A partir da fé depositada nos deuses por gregos e romanos, estes construíram templos para os adorarem e seguirem alguns rituais, dentre eles, sacrifício de animais e algumas oferendas. Além disso, cada deus tinha um período do ano para ser comemorado entre seus adoradores. Um exemplo é a bacante, festa dedicada a Baco, deus do vinho.
A mitologia greco-romana tem muitas contribuições espalhadas por todo o mundo. Suas lendas, histórias e divindades são lembradas e estudadas até hoje, servindo como tema de muitas pesquisas distribuídas em todas as áreas de estudo, como por exemplo, a matemática e filosofia, ambas originárias da Grécia. Na arte é bastante comum ter a mitologia como pano de fundo pras mais variadas obras. Michelângelo e Rafael foram artistas que retrataram a mitologia greco-romana em suas obras.
Se conseguimos compreender a importância da herança grega para nossa civilização contemporânea - que está cerca de 3000 anos distante dela - não é difícil imaginar a influência que os gregos exerceram nas civilizações que lhes eram mais próximas em termos temporais. É o caso dos romanos, por exemplo, que dominaram a Grécia política e militarmente. No entanto, culturalmente, adaptaram-se aos modelos gregos.
Mas podemos ir mais além. Se o fim do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., representa o fim da influência greco-romana nos padrões culturais do mundo ocidental, que passou a ser modelado pelo cristianismo, por outro lado, a cultura e a mitologia greco-romana são retomadas ao fim da Idade Média no período que ficou conhecido como Renascimento, bem como no século 18, quando se desenvolve um movimento cultural conhecido como Neoclassicismo.
Religião e arte
Por outro lado, é importante deixar claro que a mitologia grega ou greco-romana, em suas origens mais remotas está ligada a uma visão de mundo de caráter religioso. Ao contrário, à medida que avançamos no tempo em direção aos nossos dias, a mitologia vai se esvaziando do significado religioso e ganhando, principalmente, um caráter artístico. Em outras palavras, no século 15, ao retratar uma deusa greco-romana como Vênus, o pintor Sandro Botticelli não a encarava como uma entidade religiosa, mas como um ideal estético de beleza.
Na verdade, mesmo em termos de Antiguidade, é muito difícil fazer uma separação entre mitologia e arte. A arte da Grécia antiga, por exemplo, trata essencialmente de temas mitológicos. E foi através da arte que tomamos contato com a mitologia grega: além de uma grande quantidade de templos (arquitetura), de esculturas, baixo-relevos e pinturas, a literatura grega é a principal fonte que temos dessa mitologia. Em especial, podemos destacar a obra de Homero, a "Ilíada" e a "Odisseia", que datam provavelmente do século 9 a.C., e a de Hesíodo, "Teogonia", escrita possivelmente no século seguinte.

                                         Homero e Hesíodo

                                   

Essas três obras podem ser consideradas as fontes básicas para o conhecimento da mitologia grega. A "Teogonia" narra a origem dos deuses (Theos, em grego, significa deus). Já a "Ilíada" e a "Odisseia" tratam de aventuras de heróis, respectivamente Aquiles e Odisseu, embora a participação dos deuses em ambas as narrativas sejam fundamentais. No entanto, além delas existem ainda muitas outras obras antigas que têm como personagens entidades mitológicas - sejam deuses, semi-deuses ou heróis. Entre elas, merecem destaque as tragédias (obras teatrais) de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, pois através delas conseguimos perceber com maior facilidade o significado simbólico que os mitos têm para a própria existência humana. Por meio delas, talvez se evidencie mais o significado que os mitos têm em termos psicológicos, que acabaram levando psiquiatras como Sigmund Freud e Carl Jung a analisar o significado dos mitos.
Vamos deixar de lado, porém, o significado ou os significados dos mitos. Tudo o que se disse até agora teve como exclusiva função apresentar o contexto que envolve os mitos apenas para podermos apresentar a você, leitor, os próprios mitos, ou melhor, pelo menos alguns deles.
A luta pelo poder

É interessante começar dizendo que os gregos não acreditavam que o universo tivesse sido criado pelos deuses. Ao contrário, eles acreditavam que o universo criara os deuses. Antes de mais nada, existiam o Céu e a Terra, que geraram os Titãs, também chamados de deuses antigos. O mais importante deles foi Cronos (ou Saturno, para os romanos), que reinou sobre todos os outros. No entanto, o Destino - uma entidade à qual os próprios deuses estavam submetidos - determinara que Cronos seria destronado por um de seus filhos. Por isso, mal eles saíam do ventre materno, Cronos os devorava. Réia, sua mulher, resolveu salvar seu último filho, escondendo-o do marido. Este filho, Zeus, cumpriu a profecia, destronou Cronos e retirou de seu estômago todos os irmãos que haviam sido devorados. Com eles, Zeus passou a reinar sobre o mundo, de seu palácio no topo do monte Olimpo. A corte de Zeus era formada por outros onze deuses, seus irmãos, sua esposa e seus filhos, como se vê a seguir:



GAIA

É a Deusa da Terra, a Mãe Terra, como elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora incrível. Segundo Hesíodo, no princípio surge o Caos, e do Caos nascem Gaia, Tártaro, Eros (o amor), Érebo e Nix (a noite). Gaia gera sozinha Urano, Ponto e as Óreas (as montanhas). Ela gerou Urano, seu igual, com o desejo de ter alguém que a cobrisse completamente, e para que houvesse um lar eterno para os deuses "bem-aventurados". Com Urano, Gaia gerou os 12 Titãs: Oceano, Céos, Crio, Hiperião, Jápeto, Teia, Reia, Têmis, Mnemosine, a coroada de ouro Febe e a amada Tétis; por fim nasceu Cronos, o mais novo e mais terrível dos seus filhos, que odiava a luxúria do seu pai. Após, Urano e Gaia geraram os Ciclopes e os Hecatônquiros (Gigantes de Cem Mãos e Cinquenta Cabeças). Sendo Urano capaz de prever o futuro, temeu o poder de filhos tão grandes e poderosos e os encerrou novamente no útero de Gaia. Ela, que gemia com dores atrozes sem poder parir, chamou seus filhos Titãs e pediu auxílio para libertar os irmãos e se vingar do pai. Somente Cronos aceitou. Gaia então tirou do peito o aço e fez a foice dentada. Colocou-a na mão de Cronos e os escondeu, para que, quando viesse Urano, durante a noite não percebesse sua presença. Ao descer, Urano, para se unir mais uma vez com a esposa, foi surpreendido por Cronos, que atacou-o e castrou-o, separando assim o Céu e a Terra. Cronos lançou os testículos de Urano ao mar, mas algumas gotas caíram sobre a terra, fecundando-a. Do sangue de Urano derramado sobre Gaia, nasceram os Gigantes, as Erínias as Melíades. Após a queda de Urano, Cronos subiu ao trono do mundo e libertou os irmãos. Mas vendo o quanto eram poderosos, também os temia e os aprisionou mais uma vez. Gaia, revoltada com o ato de tirania e intolerância do filho, tramou uma nova vingança. Quando Cronos se casou com Reia e passou a reger todo o universo, Urano lhe anunciou que um de seus filhos o destronaria. Ele então passou a devorar cada recém-nascido por conselhos do pai. Mas Gaia ajudou Reia a salvar o filho que viria a ser Zeus. Reia então, em vez de entregar seu filho para Cronos devorar entregou-lhe uma pedra, e escondeu seu filho em uma caverna. Já adulto, Zeus declarou guerra ao pai e aos demais Titãs com a ajuda de Gaia. E durante cem anos nenhum dos lados chegava ao triunfo. Gaia então foi até Zeus e prometeu que ele venceria e se tornaria rei do universo se descesse ao Tártaro e libertasse os três Ciclopes e os três Hecatônquiros. Ouvindo os conselhos de Gaia, Zeus venceu Cronos, com a ajuda dos filhos libertos da Terra e se tornou o novo soberano do Universo. Zeus realizou um acordo com os Hecatônquiros para que estes vigiassem os Titãs no fundo do Tártaro. Gaia pela terceira vez se revoltou e lançou mão de todas as suas armas para destronar Zeus. Num primeiro momento, ela pariu os incontáveis Andróginos, seres com quatro pernas e quatro braços que se ligavam por meio da coluna terminado em duas cabeças, além de possuir os órgãos genitais femininos e masculinos. Os Andróginos surgiam do chão em todos os quadrantes e escalavam o Olimpo com a intenção de destruir Zeus, mas, por conselhos de Têmis, ele e os demais deuses deveriam acertar os Andróginos na coluna, de modo a dividi-los exatamente ao meio. Assim feito, Zeus venceu. Em uma outra oportunidade, Gaia produziu uma planta que ao ser comida poderia dar imortalidade aos Gigantes; todavia a planta necessitava de luz para crescer. Mas ao saber disto Zeus ordenou que Hélio, Selene, Eos e as Estrelas não subissem ao céu, e escondido nos véus de Nix, ele encontrou a planta e a destruiu. Mesmo assim Gaia incitou os Gigantes a colocarem as montanhas umas sobre as outras na intenção de subir o céu e invadir o Olimpo. Mas Zeus e os outros deuses venceram novamente. Como última alternativa, enviou seu filho mais novo e o mais horrendo, Tifão para dar cabo dos deuses e seus aliados, mas os deuses se uniram contra a terrível criatura e depois de uma terrível e sangrenta batalha, eles conseguem vencer o último filho de Gaia. Enfim, Gaia cedeu e acordou com Zeus que jamais voltaria a tramar contra seu governo. Dessa forma, ela foi recebida como uma Deusa Olímpica.

                                                                          URANO

                                         

Urano era uma divindade da mitologia grega que personificava o céu. Foi gerado espontaneamente por Gaia (a Terra) e casou-se com sua irmã. Ambos foram ancestrais da maioria dos deuses gregos, mas nenhum culto dirigido diretamente a Urano sobreviveu até a época clássica e o Deus não aparece entre os temas comuns da cerâmica grega antiga. Não obstante, a Terra, o Céu e Estige podiam unir-se em uma solene invocação na épica homérica. Urano tem vários filhos (e irmãs), entre os quais os Titãs, os Ciclopes e os Hecatônquiros (seres gigantes de 50 cabeças e 100 braços). Ao odiar seus filhos, mantem todos presos no interior de Gaia, a Terra. Esta então instigou seus filhos a se revoltarem contra o pai. Cronos, o mais jovem, assumiu a liderança da luta contra Urano e, usando uma foice oferecida por Gaia, cortou seu pai em vários pedaços. Do sangue de Urano que caiu sobre a terra, nasceram os Gigantes, as Erínias e as Melíades. A maioria dos gregos considerava Urano como um Deus primordial (protogenos) e não lhe atribuía filiação. Cícero afirma em De Natura Deorum ("Da Natureza dos Deuses"), que ele descendia dos antigos deuses Éter e Hemera, o Ar e o Dia. Segundo os hinos órficos, Urano era filho da noite, Nix. Seu equivalente na mitologia romana é Caelus ou Coelus - do qual provém caelum (coelum), a palavra latina para "céu".

                                                                          CRONOS

                                               

Filho de Urano, o Céu estrelado, e Gaia, a Terra, é o mais jovem dos Titãs. A pedido de sua mãe se tornou senhor do céu castrando o pai com um golpe de foice. A partir de então, o mundo foi governado pela linhagem dos Titãs que, segundo Hesíodo, constituía a segunda geração divina. Foi durante o reinado de Cronos que a humanidade (recém-nascida) viveu a sua "Idade de Ouro". Cronos casou com a sua irmã Reia, que lhe deu seis filhos (os Crónidas): três mulheres, Héstia, Deméter e Hera e três rapazes, Hades, Poseidon e Zeus. Como tinha medo de ser destronado, Cronos engolia os filhos ao nascerem. Comeu todos exceto Zeus, que Reia conseguiu salvar enganando Cronos enrolando uma pedra em um pano, a qual ele engoliu sem perceber a troca. Quando Zeus cresceu, resolveu vingar-se de seu pai, solicitando para esse feito o apoio de Métis - a Prudência - filha do Titã Oceano. Esta ofereceu a Cronos uma poção mágica, que o fez vomitar os filhos que tinha devorado. Então Zeus tornou senhor do céu e divindade suprema da terceira geração de deuses da Mitologia Grega ao banir os Titãs para o Tártaro e afastou o pai do trono.

                                                                       RÉIA

                                                   
Réia era uma titã filha de Urano e Gaia, se casou com seu irmão Cronos, mãe de Deméter, Hades, Poseidon, Hera, Héstia e Zeus. Devido a um oráculo de Urano, Cronos começou a comer seus filhos, pois profetizou que o filho de Cronos o destronaria. Réia não ia permitir que Cronos fizesse isso com o sexto filho então ela escondeu Zeus (o filho mais novo) no monte Ida e o trocou por uma pedra enrolada num pano, Cronos comeu a pedra pensando ser seu filho, Zeus foi criado por uma cabra chamada Amaltéia que o amamentou, mais velho Zeus invadiu o Olimpo junto de 3 cíclopes e 3 hecatônquiros e derrotou Cronos o forçando a vomitar seus irmãos e tomou o Olimpo para si. Réia discutiu com Zeus por que o mundo não pertencia só a ele e que ela tinha direito a uma parte do mundo, Zeus irritado começou a persegui-la, Réia se escondeu nas montanhas onde ela se cercou de criaturas selvagens. Ela é conhecida como mãe dos deuses, por ser mãe de todos os Deuses do Olimpo, é Deusa da fertilidade, relacionada com os partos fáceis.

                                                                          ZEUS

                                             

O filho mais novo de Cronos e Réia foi o líder dos Deuses que viviam no monte Olimpo. Ele impunha a justiça e a ordem lançando relâmpagos construídos pelos ciclopes. Zeus teve diversas esposas e casos com Deusas, ninfas e humanas. Cronos tinha o hábito de devorar seus próprios filhos para que não tomassem seu lugar no trono. Até que Zeus nasceu e sua mãe Réia já cansada de tanto sangue e sofrimento deu a Cronos uma pedra embrulhada no lugar de Zeus, salvando sua vida. Réia decidiu que Zeus seria o último filho e encerraria o reinado de sangue e sofrimento e tomaria o trono do pai. Assim que Cronos descobriu que tinha engolido uma pedra ao invés do filho saiu a procura de Zeus, mas não o encontrou. Zeus foi criado no bosque de Creta e foi alimentado com mel e leite de cabra. E assim quando cresceu foi a caminho do pai para combatê-lo, eles viraram grandes inimigos, Zeus obrigou seu pai a engolir uma bebida mágica, que restituiu todos os filhos que no passado tinha devorado. Foi então que Zeus conheceu seus quatro irmãos: Deméter, Poseidon, Héstia e Hades, faltou apenas a Hera que como Zeus foi poupada e não estava ali. Zeus ainda liberou ciclopes que deu a ele o Raio. Então após dez anos, o tempo que durou a guerra, Zeus subiu ao Olimpo junto com seus irmãos Poseidon e Hades que o ajudaram a destruir Cronos, e então comandaram o Céu, a Terra e os demais deuses. Zeus tinha o poder dos fenômenos atmosféricos e fazia relâmpagos e trovões e com sua mão direita lançava a chuva, podia usar sua força como destruidora, mas também mandava chuvas para as plantações. Zeus casou-se três vezes, sua primeira esposa foi Métis a deusa da prudência e com ela teve sua filha Atena. Sua segunda esposa foi Têmis a deusa da justiça. E sua terceira esposa foi sua irmã Hera e com ela teve vários herdeiros, mas o único que foi filho legítimo de Hera e Zeus foi Ares, que era o Deus da guerra. Hera era muito ciumenta e agressiva já que Zeus desonrava sua vida com ela, tinha muitas amantes, e acabou tendo muitos filhos fora de seu casamento. Zeus usava seu poder de sedução e até usava as mais belas metamorfoses para conquistar as mulheres. As mais conhecidas são: o Cisne de Leda e o Touro da Europa. Zeus é o Deus que dá ao homem o caminho da razão e também ensina que o verdadeiro conhecimento é obtido apenas a partir da dor.

                                                                 HERA

                                       

Terceira mulher de Zeus e rainha do Olimpo, Hera é a deusa do matrimônio e do parto. É vingativa com as amantes do marido e com os filhos de Zeus que elas geram. Para os gregos, Hera e Zeus simbolizam a união homem-mulher. Hera era filha de Cronos e Réia. Tem como seu animal preferido o Pavão e é associada ao signo de Escorpião. Tinha a fama de ser ciumenta com razão, pois Zeus era muito infiel - de todos os filhos que Zeus teve, dois foram concebidos em seu casamento com Hera que foi Ares (deus da guerra) e Hefesto (deus do fogo). Hera considerava muito o casamento e foi muito humilhada por Zeus por suas traições o que a deixou muito triste, foi quando ele sozinho gerou sua filha Atena, mostrando que não precisava de Hera nem para conceber um filho. Um dos episódios de ciúmes de Hera foi com Calisto (deusa) que por ter muita beleza conquistou seu marido, mas Hera para separar os dois a transformou em uma Ursa. Calisto ficou muito isolada de todos e também com medo da floresta por causa dos caçadores. Até que um dia ao reconhecer seu filho Arcas correu para abraçá-lo, mas Arcas já preparava sua lança por não reconhecer sua mãe. Hera vendo o que aconteceria lançou um feitiço e enviou os dois para os céus que viraram constelações, a Ursa maior e a Ursa menor. Porém como Hera ainda tinha muita raiva de sua rival pede para Tétis e Oceano, divindades do mar, para que não a deixem descansarem em suas águas, e com isso essas duas constelações sempre ficam em círculos e nunca descem para trás das águas como as outras estrelas. Outro episódio de ciúme de Hera foi quando Zeus, por saber que Hera estava chegando e ele estava com uma de suas amantes (Io), a transforma rapidamente em uma vaca. Hera, muito desconfiada, pede para Zeus aquela vaca de presente e Zeus não podendo negar um presente, o dá para sua esposa. Ela então coloca aquela novilha aos cuidados de Argos, um monstro de muitos olhos, que ao dormir nunca fechava todos, com isso a novilha estava sempre sendo observada. Mas Zeus ao ver o sofrimento da amante pede para que Hermes mate Argos. Então, Hermes toca uma música, fazendo Argos dormir completamente, fechando todos os olhos. Após isso, Hermes arranca-lhe a cabeça. Hera muito triste pelo acontecimento, pega todos os olhos e coloca na cauda de seu pavão, onde eles estão até hoje. A deusa continua perseguindo Io, mas Zeus promete que não terá mais nada com a amante, Hera aceita a promessa e devolve a aparência humana à Io. Hera durante muito tempo não só perseguia as amantes, mas também os filhos que Zeus teve fora do casamento. E sempre foi considerada a deusa protetora das mulheres casadas.

                                                              POSEIDON

   

O irmão mais velho de Zeus e Hades era o Deus do mar. Com um movimento de seu tridente, causava tempestades e terremotos - e sua fúria era famosa entre os deuses! Posêidon vivia procurando aumentar seus domínios em diferentes áreas da Grécia. Também conhecido como Netuno para os romanos, era um homem muito forte, com barbas e sempre representado com seu tridente na mão e as vezes com um golfinho. Era filho de Cronos, Deus do tempo, e da Deusa da fertilidade Réia. Sua casa era no fundo do mar e com seu tridente causava maremotos, tremores, além de fazer brotar água do solo. Poseidon era casado com Anfitrite. Quando se conheceram Poseidon se apaixonou por ela, mas Anfitrite o recusou e Poseidon a obrigou casar-se com ele, porém, ela para não casar, se escondeu nas profundezas do oceano, só sua mãe sabia onde ela estava. Mas com o tempo Anfitrite mudou de idéia e foi atrás de Poseidon com quem se casou e ficou sendo a rainha do oceano. Com ela teve um filho chamado Tritão que aterrorizava os marinheiros com um barulho espantoso que ele fazia quando soprava o búzio, um instrumento, mas também com ele fazia sons maravilhosos. Entretanto, na sua vida Poseidon teve muitos outros amores e fora de seu casamento teve mais filhos que ficaram muito conhecidos por sua crueldade, os dois mais conhecidos foram o Ciclope e o gigante Orion. Poseidon disputou com Atena, a deusa da sabedoria, para ser a deidade da cidade hoje conhecida como Atenas, porém Atena ganhou a competição e a cidade ficou conhecida com o seu nome. Na história da Guerra de Tróia, Poseidon e Apolo ajudaram o rei na construção dos muros daquela cidade e a eles foi prometida uma recompensa, porém tinham sidos enganados, pois o rei não os recompensou. Foi então que Poseidon ficou muito enfurecido e se vingou de Tróia e enviando um monstro do mar que saqueou toda a terra de Tróia e durante a guerra ajudou os gregos. Poseidon é também o pai de Pégaso, um cavalo alado gerado por Medusa, por esse motivo sempre esteve muito ligado aos cavalos e foi o primeiro a colocar cavalos na região. Outro caso de amor muito conhecido de Poseidon foi com sua irmã Demeter, ele a perseguiu e ela para evitá-lo se transformou em égua, porém ele se transformou em um garanhão e com ela teve um encantador cavalo, Arion. Poseidon era um Deus muito importante e celebravam em sua honra os Jogos místicos, constituídos de competições atléticas e também de músicas e poesias, realizados de dois em dois anos.

                                                                       HADES

  

Mesmo sendo irmão de Zeus e Posêidon, não vive no monte Olimpo. Hades, como Deus dos mortos, domina seu próprio território. Apesar de passar uma imagem ruim por sua "função", não é um Deus associado ao mal. Equivalente ao Deus romano Plutão, que significa o rico e que era também um dos seus epítetos gregos, seu nome era usado frequentemente para designar tanto o Deus quanto o reino que governa, nos subterrâneos da Terra. Consta também ser chamado Serápis (Deus de obscura origem egípcia). É considerado um Deus da "segunda geração" pelos estudiosos, oriundo que fora de Cronos (Saturno, na teogonia romana) e de Reia. Formava com seus cinco irmãos os Crônidas, que incluíam as mulheres Héstia, Deméter e Hera, e os homens Posseidon e Zeus. Ele é também conhecido por ter raptado a deusa Perséfone (Koré ou Core) filha de Deméter, a quem teria sido fiel e com quem nunca teve filhos. A simbologia desta união põe em comunicação duas das principais forças e recursos naturais, a riqueza do subsolo que fornece os minerais, e faz brotar de seu âmago as sementes representando a vida e a morte. Hades costuma apresentar um papel secundário na mitologia, pois o fato de ser o governante do Mundo dos Mortos faz com que seu trabalho seja "dividido" entre outras divindades, tais como Tanatos, Deus da morte, ou as Queres (Ker), estas últimas retratadas na Ilíada recolhendo avidamente as almas dos guerreiros, enquanto Tanatos surge nos mitos da bondosa Alceste ou do astuto Sísifo. Como o senhor implacável e invencível da morte, é Hades o Deus mais odiado pelos mortais, como registrou Homero (Ilíada 9.158.159). Platão acentua que o medo de falar o seu nome fazia usarem no lugar eufemismos, como Plutão. O mundo dos mortos, território de Hades, tem regiões celestiais e infernais. Na mitologia, a alma dos mortos vai para o mundo subterrâneo, governado por Hades. Para entrar, é preciso pagar o barqueiro Caronte, que faz a travessia do rio Estige. Por isso os gregos enterravam os mortos com uma moeda. No submundo de Hades, o morto é julgado por três juízes. Os que viveram uma vida correta são premiados e seguem para uma região chamada Campos Elíseos, uma espécie de paraíso, cheio de paisagens verdes e floridas. Mas o mundo subterrâneo também tem regiões sombrias. Os gregos que "aprontaram" na vida como mortal têm como destino o Tártaro. Equivalente ao inferno cristão, ele é um poço profundo, quase sem fim, escuro, úmido e frio.

                                                                      HÉSTIA

                                                

Héstia (ou Vesta, na mitologia romana) é a Deusa grega do lar e dos laços familiares, simbolizada pelo fogo doméstico. Filha de Cronos e Reia para os gregos (Saturno e Cibele na mitologia romana), era uma das doze divindades olímpicas. A ordem de nascimento de seus irmãos é: Hera (a mais velha), seguida de Deméter e Héstia, seguidas de Hades e Poseidon; o próximo a nascer, Zeus, foi escondido por Reia em Creta, que deu uma pedra para Cronos comer. Cortejada por Poseidon e Apolo, jurou virgindade perante Zeus, e dele recebeu a honra de ser venerada em todos os lares, ser incluída em todos os sacrifícios e permanecer em paz, em seu palácio cercada do respeito de deuses e mortais. Embora não apareça com frequência nas histórias mitológicas, era admirada por todos os Deuses. Era a personificação da moradia estável, onde as pessoas se reuniam para orar e oferecer sacrifícios aos Deuses. Era adorada como protetora das cidades, das famílias e das colônias. Sua chama sagrada brilhava continuamente nos lares e templos. Todas as cidades possuíam o fogo de Héstia, colocado no palácio onde se reuniam as tribos. Esse fogo deveria ser conseguido direto do sol. Quando os gregos fundavam cidades fora da Grécia, levavam parte do fogo da lareira como símbolo da ligação com a terra materna e com ele, acendiam a lareira onde seria o núcleo político da nova cidade. Sempre fixa e imutável, Héstia simbolizava a perenidade da civilização. Em Delfos, era conservada a chama perpétua com a qual se acendia a Héstia de outros altares. Cada peregrino que chegava a uma cidade, primeiro fazia um sacrifício à Héstia. Seu culto era muito simples: na família, era presidido pelo pai ou pela mãe; nas cidades, pelas maiores autoridades políticas. Em Roma era cultuada como Vesta e o fogo sagrado era o símbolo da perenidade do Império. Suas sacerdotisas eram chamadas vestais, faziam voto de castidade e deveriam servir à deusa durante trinta anos. Lá a deusa era cultuada por um sacerdote principal, além das vestais. Era representada como uma mulher jovem, com uma larga túnica e um véu sobre a cabeça e sobre os ombros. Havia imagens nas suas principais cidades, mas sua figura severa e simples não ofereceu muito material para os artistas.

                                                                  DEMÉTER

                                           

Deméter é uma Deusa grega, filha de Cronos e Reia, Deusa da terra cultivada, das colheitas e das estações do ano. É propiciadora do trigo, planta símbolo da civilização. Na qualidade de deusa da agricultura, fez várias e longas viagens com Dionísio ensinando os homens a cuidarem da terra e das plantações. Em Roma, onde se chamava Ceres, seu festival era chamado Cerélia e celebrado na primavera. Com Zeus, seu irmão, ela teve uma filha, Perséfone ("a de braços brancos"). Teve um casal de gêmeos chamado Despina ("a Deusa das sombras invernais") e Árion, com seu irmão Poseidon. Abandonou a menina sem nome ao nascimento para procurar Perséfone quando raptada. Despina, que representa o inverno, é o oposto de sua irmã, Perséfone, que representa a primavera e de sua mãe, Deméter, Deusa da agricultura. O filho chamado Árion, era um cavalo de crinas azuis, tinha o poder da fala e de ver o futuro. Foi o cavalo mais rápido de todos os tempos e ajudou muitos heróis bravamente em suas conquistas. Ela também é uma das Deusas que tiveram filhos com mortais, e teve com o herói cretense Iásio o Deus Pluto. Um fragmento do Catálogo de Mulheres, de Hesíodo, sugere que Deméter teve um outro amante mortal, Eetion, que foi fulminado por um raio de Zeus. Alguns críticos consideram que Iásio e Eetion são a mesma pessoa. Quando Hades raptou Perséfone e a levou para seu reino subterrâneo, Deméter ficou desesperada, saiu como louca Terra afora sem comer e nem descansar. Decidiu não voltar para o Olimpo enquanto sua filha não lhe fosse devolvida, e culpando a terra por ter aberto a passagem para Hades levar sua amada filha, ela disse: “Ingrato solo, que tornei fértil e cobri de ervas e grãos nutritivos, não mais gozará de meus favores!” Durante o tempo em que Deméter ficou fora do Olimpo a terra tornou-se estéril, o gado morreu, o arado quebrou, os grãos não germinaram. Sem comida a população sofria de fome e doenças. A fonte Aretusa (em outras versões, a ninfa Ciana, metarmofoseada em um rio) então contou que a terra abriu-se de má vontade, obedecendo às ordens de Hades e que Perséfone estava no Érebo, triste mas com pose de rainha, como esposa do monarca do mundo dos mortos. Com a situação caótica em que estava a terra estéril, Zeus pediu a Hades que devolvesse Perséfone. Ele concordou, porém antes, fê-la comer um bago de romã e assim a prendeu para sempre aos infernos, pois quem comesse qualquer alimento nessa região ficava obrigado a retornar. Com isso, ficou estabelecido que Perséfone passaria um período do ano com a mãe, e outro com Hades, quando é chamada Proserpina. O primeiro período corresponde à primavera, em que os grãos brotam, saindo da terra assim como Proserpina. Neste período Perséfone é chamada Core, a moça. O segundo é o da semeadura de outono, quando os grãos são enterrados, da mesma forma que Perséfone volta a ser Proserpina no reino do seu marido. Durante o inverno, Despina mostra sua ira contra seus pais e sua irmã, congelando lagos e destruindo plantações e flores. Os Mistérios de Elêusis, celebrados no culto à Deusa, na Grécia, interpretam essa lenda como um símbolo contínuo de morte e ressurreição. Deméter pode ser representada sentada, com tochas ou uma serpente ou tendo em uma das mãos uma foice e na outra um punhado de espigas e papoulas, trazendo na cabeça, uma coroa com esses mesmos elementos.

                                                                     AFRODITE

                        

Afrodite é uma Deusa da Mitologia Grega. É a Deusa do amor, da beleza e do sexo. Corresponde a Deusa Vênus da Mitologia Romana. Nas cidades de Corinto, Esparta e Atenas, Afrodite era muito cultuada. O nome da Deusa do amor significa "nascida da espuma", porque diziam que ela havia surgido do mar. Afrodite é a mais bela das Deusas. A Deusa Afrodite nasceu na ilha de Chipre, sendo que para a história do seu nascimento existem duas versões. Segundo a versão de Hesíodo, Afrodite nasceu de uma forma incomum. Após Cronos cortar os órgãos de Urano (seu pai) e jogá-los ao mar, formou-se em torno desses órgãos uma espuma branca que, misturando-se ao mar, como se fosse uma fecundação, deu origem a Afrodite. Para Homero, mais convencional, Afrodite era filha de Zeus (deus dos deuses) e Dione (deusa das ninfas). Afrodite casou-se com o Deus do fogo, Hefesto. Porém, teve inúmeros amantes, tanto deuses como homens mortais, sendo que, de suas aventuras, foram gerados vários filhos. Com Ares, Deus da guerra, teve diversos filhos, como Eros, Anteros, Deimos, Fobos, Harmonia, Adrestia, Himeros e Pothos. Com Hermes, o Deus mensageiro, Afrodite gerou o deus Hermafrodito (mistura dos nomes dos pais), que tinha como características, além da beleza dos pais, os órgãos sexuais de ambos os gêneros. Com o Deus Apolo teve o filho Himeneu (deus do casamento), e com Dionísio o Deus do prazer, das festas e do vinho, teve o filho Príapo, o deus da fertilidade, que tinha grandes genitálias e não péssima aparência. Afrodite gerou também um filho do mortal Anquises, que foi chamado de Enéias, e que foi um herói da Guerra de Tróia. Seduziu outros mortais como Adónis, Faetonte e Cíniras. Apesar de ser conhecida como deusa do amor, Afrodite era muito vingativa, e não tinha piedade de seus inimigos. Teve como principais rivais as Deusas Hera e Atena. Aliás, sua desavença com essas Deusas deu origem a Guerra de Tróia. Nas festas em homenagem a Afrodite, as sacerdotisas que a representavam eram prostitutas sagradas, sendo que o sexo com as mesmas era considerado um ritual de adoração. As festas eram consideradas “afrodisíacas”, dando origem a esse termo. Vários artistas (pintores e escritores) já na época da Renascimento, retrataram Afrodite, como Botticelli, em sua obra “O nascimento de Vênus”.

                                                                   HEFESTO

                     

Filho de Zeus e Hera (de acordo com Homero, na Ilíada), Hefesto nasceu tão fraco e feio que foi jogado pela mãe no oceano. Resgatado por ninfas, virou um famoso artesão. Impressionados com o talento dele, os Deuses levaram Hefesto ao Olimpo e o nomearam Deus do fogo e da forja. Na Mitologia Grega, Hefesto era o Deus do trabalho, do fogo, dos artesãos, dos escultores e da metalurgia. Era muito importante na religião grega, principalmente nas cidades onde a prática da manufatura era intensa como, por exemplo, a cidade de Atenas. Com relação a aparência, Hefesto era feio, coxo e manco. Ele andava carregando vasos pintados e um bastão. Em algumas imagens, ele aparece com os pés na posição contrária. Aparece também quase sempre trabalhando em uma bigorna, suado e com a barba por fazer. De acordo com os mitos gregos, Hefesto era casado com Afrodite, porém não teve filhos. Hefesto tinha uma grande capacidade de criação. De acordo com a mitologia, foi ele quem fez o escudo de Zeus, usado na batalha contra os titãs. Ele também construiu pra si um lindo e grandioso palácio de bronze. Entre suas criações está Pandora, a primeira mulher mortal.

                                                                     ARES

               

O terrível Deus da guerra é outro filho de Zeus e Hera. No campo de batalha pode matar um mortal apenas com seu grito de guerra! Pai de vários heróis (humanos que são protegidos ou filhos de Deuses), Ares ainda se tornou um dos amantes de Afrodite. Ares foi muito cultuado em Esparta, uma das mais importantes Cidades-Estados da Grécia antiga. Embora muitas vezes tratado como o Deus olímpico da guerra, ele é mais exatamente o Deus da guerra selvagem, ou sede de sangue, ou matança personificada. Os romanos identificaram-no como Marte, o Deus romano da guerra e da agricultura (que eles tinham herdado dos etruscos). Entre os helenos sempre houve desconfiança de Ares. Embora também a meia irmã de Ares, Atena, fosse uma deidade da guerra, a posição de Atena era de guerra estratégica, enquanto Ares tendia a ser a violência imprevisível da guerra. O seu lugar de nascimento e sua casa verdadeira foram colocados muito longe, entre os bárbaros e trácios belicosos (Ilíada 13.301; Ovídio, Ars Amatoria, II.10;), de onde ele se retirou depois que o seu caso com Afrodite foi revelado. "Ares" permaneceu um adjetivo e epíteto em tempos clássicos: Zeus Areios, Atena Areia, até Afrodite Areia. Em tempos micênicos, as inscrições mencionavam Eniálios, um nome que sobreviveu em tempos clássicos como um epíteto de Ares. Corvos e cães, animais que se alimentam dos cadáveres nos campos de batalha, são sagrados para ele.

                                                                  APOLO

              

O Deus da luz (representada pelo Sol), das artes, da medicina e da música é filho de Zeus com uma titã, Leto. Na juventude, era vingativo, mas depois se tornou um Deus mais calmo, usando os poderes para cura, música e previsões do futuro. Foi uma das divindades principais da mitologia greco-romana, um dos Deuses olímpicos. Irmão gêmeo de Ártemis, possuía muitos atributos e funções, e possivelmente depois de Zeus foi o Deus mais influente e venerado de todos os da Antiguidade clássica. As origens de seu mito são obscuras, mas no tempo de Homero já era de grande importância, sendo um dos mais citados na Ilíada. Era descrito como o Deus da divina distância, que ameaçava ou protegia desde o alto dos céus, sendo identificado como o sol e a luz da verdade. Fazia os homens conscientes de seus pecados e era o agente de sua purificação; presidia sobre as leis da Religião e sobre as constituições das cidades, era o símbolo da inspiração profética e artística, sendo o patrono do mais famoso oráculo da Antiguidade, o Oráculo de Delfos, e líder das Musas. Era temido pelos outros Deuses e somente seu pai e sua mãe podiam contê-lo. Era o Deus da morte súbita, das pragas e doenças, mas também o Deus da cura e da proteção contra as forças malignas. Além disso era o Deus da Beleza, da Perfeição, da Harmonia, do Equilíbrio e da Razão, o iniciador dos jovens no mundo dos adultos, estava ligado à Natureza, às ervas e aos rebanhos, e era protetor dos pastores, marinheiros e arqueiros. Embora tenha tido inúmeros amores, foi infeliz nesse terreno, mas teve vários filhos. Foi representado inúmeras vezes desde a Antiguidade até o presente, geralmente como um homem jovem, nu e imberbe, no auge de seu vigor, às vezes com um manto, um arco e uma aljava de flechas, ou uma lira, e com algum de seus animais simbólicos, como a serpente e o corvo. Apolo foi identificado sincreticamente com grande número de divindades maiores e menores nos seus vários locais de culto, e sobreviveu veladamente ao longo do florescimento do cristianismo primitivo, que se apropriou de vários de seus atributos para adornar seus próprios personagens sagrados, como Cristo e o arcanjo São Miguel. Entretanto, na Idade Média Apolo foi identificado pelos cristãos muitas vezes com o Demônio. Mas desde a associação de Apolo com o poder profano pelo imperador romano Augusto se originou um poderoso imaginário simbólico de sustentação ideológica do imperialismo das monarquias e da glória pessoal dos reis e príncipes. Seu mito tem sido trabalhado ao longo dos séculos por filósofos, artistas e outros intelectuais para a interpretação e ilustração de uma variedade de aspectos da vida humana, da sociedade e de fenômenos da Natureza, e sua imagem continua presente de uma grande variedade de formas nos dias de hoje. Até mesmo seu culto, depois de muitos séculos, foi recentemente ressuscitado por correntes do neopaganismo.

                                                                ARTÉMIS

                                               

Esta Deusa famosa dos gregos foi concebida por Zeus e Leto e era irmã gêmea de Apolo (enquanto ele simbolizava a luz solar, ela representava a esfera lunar). É a Deusa da caça, representada por uma mulher com um arco. Contraditoriamente, também é a protetora dos animais. Ártemis é uma Deusa casta (virgem), que fica furiosa quando se sente ameaçada. Ártemis (ou Diana, como era conhecida entre os romanos) é representada como uma imagem lunar arisca e selvagem, constantemente seguida de perto por feras selvagens, especialmente por cães ou leões. Ela traz sempre consigo, no abrigo de suas mãos, um arco dourado, nos ombros um coldre de setas, e pode ser vista trajando uma túnica de tamanho curto. Dizem que quando ela ainda era uma criança, Zeus a questionou sobre seu maior desejo para seu aniversário, e ela lhe pediu, sem hesitar, que pudesse circular livremente pelas matas, ao lado dos animais ferozes, dispensada para sempre da obrigação de se casar. O pai imediatamente realizou seu sonho. Esta poderosa figura é sempre encontrada, em qualquer mito que seja, correndo por bosques, florestas e matas, livre como um pássaro, ensaiando suas coreografias e cantando ao lado das ninfas que lhe são muito próximas. Nas festas em homenagem à lua eram sempre executadas danças de extrema sensualidade e havia constantemente a presença de um ramo considerado sagrado. Ártemis é considerada tanto uma prostituta sagrada quanto uma virgem responsável pelos partos, pois os mitos a retratam igualmente como o bebê que nasceu primeiro e ajudou a mãe a parir o irmão Apolo. Embora pareça contraditória esta personalidade ambígua de Ártemis, na verdade ela está associada a dupla faceta do feminino, que protege e destrói, concebe e mata. Esta imagem da Deusa é difundida especialmente na Ásia Menor. Não se sabe exatamente onde e quando surgiu seu culto, pois os autores que estudam o mito divergem quanto a este ponto. Alguns pesquisadores acreditam que seu nascimento remonta às tribos da Anatólia, exímias caçadoras, consideradas berços das famosas amazonas. Outros creem que ela descende da divindade Cibele, protetora da Natureza, cultuada na Ásia Menor, também representada como uma Rainha das Feras, rodeada por leões, veados, pássaros e outros exemplares da fauna. Há estudos que situam Ártemis ao lado de outras potências lunares, tais como Hécate, também associada às esferas infernais, e Selene; as três compunham uma espécie de trindade da Lua. Os italianos a conhecem como Diviana, expressão que pode ser traduzida como Deusa, e pode ser facilmente ligada ao nome Diana. Esta Deusa da fertilidade animal tinha várias discípulas, que eram denominadas ursas. Elas reconheciam sua natureza autoritária e repressora. Os animais ferozes que estão sempre junto a ela representam, por outro lado, os impulsos que precisam ser dominados. Sem dúvida ela é o símbolo maior do feminino, de sua liberdade e autonomia. Na Itália eles comemoravam sua festa no dia 13 de agosto, quando os cães de caça tinham seu momento de glória e os animais ferozes eram deixados à vontade. Este evento foi consagrado pela Igreja como um culto católico que marca a Assunção de Nossa Senhora, transferido para o dia 15 de agosto.

                                                                HERMES

                               

Filho de Zeus com a Deusa Maia, o mensageiro dos Deuses é o protetor de viajantes e mercadores. Representado como um homem de sandálias com asas, Hermes tinha um lado obscuro, às vezes trazia mentiras e falsas histórias. Divindade muito antiga, já era cultuado na história da Grécia antiga possivelmente como um Deus da fertilidade, dos rebanhos, da magia, da divinação, das estradas e viagens, entre outros atributos. Ao longo dos séculos seu mito foi extensamente ampliado, tornando-se o mensageiro dos Deuses e patrono da ginástica, dos ladrões, dos diplomatas, dos comerciantes, da astronomia, da eloquência e de algumas formas de iniciação, além de ser o guia das almas dos mortos para o reino de Hades, apenas para citar-se algumas de suas funções mais conhecidas. Com o domínio da Grécia por Roma, Hermes foi assimilado ao Deus Mercúrio, e através da influência egípcia, sofreu um sincretismo também com Toth, criando-se o personagem de Hermes Trismegisto. Ambas as assimilações tiveram grande importância, criando rica tradição e perpetuando sua imagem através dos séculos até a contemporaneidade, exercendo significativa influência sobre a cultura do ocidente e de certas áreas orientais em torno do Mediterrâneo, chegando até à Pérsia e à Arábia. As primeiras descrições literárias sobre Hermes datam do período arcaico da Grécia, e o mostram nascendo na Arcádia. Já no primeiro dia de vida realizou várias proezas e exibiu vários poderes, furtou cinquenta vacas de seu irmão Apolo, inventou o fogo, os sacrifícios, sandálias mágicas e a lira. No dia seguinte, perdoado pelo furto das vacas, foi investido de poderes adicionais por Apolo e por seu pai Zeus, e por sua vez concedeu a Apolo a arte de uma nova música, sendo admitido no Olimpo como um dos grandes Deuses. Mais tarde inúmeros outros escritores ampliaram e ornamentaram sua história original e surgiram múltiplas versões dela, não raro divergentes em vários detalhes, preservando-se porém suas linhas mais características.  Com o advento do Cristianismo, chegou a ser comparado a Cristo em sua função de intérprete da vontade do Logos. As figuras de Hermes e de seu principal distintivo, o caduceu, ainda hoje são conhecidas e usadas por seu valor simbólico e vários autores o consideram a imagem tutelar da cultura ocidental contemporânea.

                                                                          ATENA

                         

É a Deusa da sabedoria e filha de Zeus com a primeira mulher dele, Métis. Seu símbolo é a mais sábia das aves, a coruja. Habilidosa e especialista nas artes e na guerra, Atena carrega uma lança e um escudo chamado. Os romanos a chamavam de Minerva. Era uma Deusa virgem, linda guerreira protetora de seus heróis escolhidos e também de sua cidade Atenas. Atena era a filha predileta de Zeus, porém quando Métis ficou grávida, Zeus engoliu a esposa com medo de sua filha nascer mais poderosa que ele e lhe tirar o trono, mas para que isso acontecesse convenceu Métis a participar de uma brincadeira divina, onde cada um se transformava em um animal diferente e Métis pouco prudente acabou se transformando em uma mosca, e Zeus a engoliu e Métis foi para a cabeça dele. Mas com o passar dos anos, Zeus sentiu uma forte dor de cabeça e pediu para Hefesto lhe desse uma machadada, foi então que Atena já adulta saltou de dentro do cérebro de seu pai, já com armadura, elmo e escudo. Atena leva uma lança em sua mão, mas que não significa guerra e sim uma estratégia de vencer, também foi a inventora do freio, sendo a primeira que amansou os cavalos para que os homens conseguissem domá-los. A cidade Atenas era sua preferida já que levou seu nome e onde também se fazia cultos em sua homenagem. Atena e Poseidon, seu tio, chegaram a disputar o padroado de Atenas, para isso estabeleceram um concurso: quem desse o melhor presente à cidade ganharia a disputa. Poseidon bateu com seu tridente e fez jorrar água do mar e também fez aparecer um cavalo. Já Atena além de domar o cavalo e torna-lo um animal doméstico, também deu como presente uma Oliveira que produzia alimento, óleo e madeira, foi então que ganhou e assim a cidade levou seu nome, Atenas. Considerada a Deusa virgem, ficou assim durante toda a história, pois pedia para que os Deuses não se apaixonassem, pois ela ficaria grávida e teria que largar sua vida de guerras e passar a viver em uma vida doméstica. Atena também ficou conhecida como Minerva pelo voto de desempate que deu quando julgou Orestes juntamente com o povo de Atenas. Orestes matou a mãe para se vingar da morte do pai. Atena deu o voto de Minerva como é conhecido hoje, e declarou Orestes inocente. Essa grande Deusa era para ser a nova Rainha do Olimpo, mas como era mulher seu pai continuou no trono. Mas Atena foi a Deusa da sabedoria, prudência, capacidade de reflexão, poder mental, amante da beleza e da perfeição.

                                                                        By Stela Bagwell

Fontes: Deuses Greco-Romanos, Wikipédia



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

BRUXAS: CONTEXTO HISTÓRICO E MITOLÓGICO

 

Uma bruxa é geralmente retratada no imaginário popular como uma mulher velha, nariguda e encarquilhada, exímia e contumaz manipuladora de Magia Negra e dotada de uma gargalhada terrível. É inegável a conexão entre esta visão e a visão da Hag ou Crone dos anglófonos. É também muito popularizada a imagem da bruxa como a de uma mulher sentada sobre uma vassoura voadora, ou com a mesma passada por entre as pernas, andando aos saltitos. Alguns autores utilizam o termo, contudo, para designar as mulheres sábias detentoras de conhecimentos sobre a natureza e, possivelmente, magia.
As bruxas tem andado sobre a Terra desde o começo do mundo, e o desenvolvimento da linguagem humana permitiu que elas criassem maldições, feitiços e rituais mais complexos. Por meio da tentativa erro, as bruxas também aprenderam o potencial das plantas tanto para envenenar quanto para curar. Muitas bruxas foram curandeiras benevolentes, seguiram um caminho para a luz e ajudaram comunidades inteiras, outras optaram se aliar às trevas e foram convencidas a vender a alma em troca da capacidade de realizar magia negra. Assim, com o passar do tempo, as bruxas foram consideradas rivais da religião organizada e, consequentemente, fora perseguidas, queimadas, decapitadas, enforcadas ou afogadas.


Algumas bruxas históricas adquiriram alguma notoriedade, como é o caso das chamadas Bruxas de Salem, a Bruxa de Evóra e Dame Alice Kytler (bruxa inglesa). São também bastante populares na literatura de ficção, como nos livros da popular série Harry Potter, nos livros de Marion Zimmer Bradley (autora de As Brumas de Avalon, que versam sobre uma vasta comunidade de bruxos e bruxas cuja maioria prefere evitar a magia negra, ou a trilogia sobre as bruxas Mayfair, de Anne Rice.
As bruxas foram implacavelmente caçadas durante a inquisição na Idade Média. Um dos métodos usados pelos inquisidores para identificar uma bruxa nos julgamentos do Santo Ofício consistia na comparação do peso da ré com o peso de uma Bíblia gigante. Aquelas que fossem mais leves eram consideradas bruxas, pois dizia-se que as bruxas adquiriam uma leveza sobrenatural. Outro modo pelo qual podia-se testar uma bruxa era a flutuação, neste teste a suposta bruxa era levada para uma lagoa ou o lago mais profundo, e suas mãos eram amarradas aos pés antes de ser jogada na água, se flutuasse  era considerada culpada e levada para ser queimada, se afundasse, era inocente , porém quando isso acontecia muitas mulheres inocentes morriam afogadas ou de pneumonia, no entanto este mostrou-se ser um método falho na identificação de supostas bruxas, pois, o fato de um corpo flutuar ou não depende muito da sorte e do tipo de corpo. As picadas também foram durante muito tempo uma forma de identificação de bruxas, era um teste igualmente cruel ao da flutuação, onde um alfinete ou punhal era enfiado com força na carne da suposta bruxa para encontrar a marca do diabo, ou seja, uma parte do corpo insensível à dor, muitas vezes a marca era invisível, mas uma verruga ou descoloração da pele era considerada uma forte evidencia da culpa da acusada.


Frequentemente as bruxas são associadas a gatos pretos, que para as bruxas tradicionais são os chamados Puckerel, muitas vezes tidos como espíritos guardiões da Arte das Bruxas, que habitam o corpo de um animal. Estes costumam ser designados na literatura como Familiares. Diziam que as bruxas voavam em vassouras à noite e principalmente em noites de lua cheia, que faziam feitiços e transformavam as pessoas em animais e que eram más.
Hoje em dia essas antigas superstições como a da bruxa velha da vassoura na lua cheia já foram suavizadas, devido à maior tolerância entre religiões, sincretismo religioso e divulgação do paganismo. Gerald Gardner tem destaque nesse cenário como o pai da Religião Wicca- A Religião da Moderna Bruxaria Pagã, formada por pessoas que são bruxos e que utilizam a "Arte dos Sábios" ou a "Antiga Religião" mesclada a práticas e conhecimentos de outras tradições. A classificação de magia como negra e branca não existe para os bruxos, pois se fundamentam nos conceitos de bem e mal, que não fazem parte de suas crenças, por isso, como costumam dizer, toda magia é cinza.

                                         

A Arte das Bruxas como era feita antes é chamada de bruxaria tradicional, ainda remanescendo até os dias atuais em grupos seletos, via de regra ocultos. Hoje também pode-se encontrar uma vasta quantidade de livros e sites que explicam a "Antiga Religião" mas geralmente se tratam de Wicca, pois os membros de grupos de bruxaria tradicional costumam preferir o ostracismo, revelando-se publicamente apenas em ocasiões especiais ou para que novos candidatos os localizem.
À afirmativa de existência de bruxas à forma retratada em registros da Idade Média, incluindo histórias infantis que permaneceram em evidência até os dias atuais, admite-se uma ressalva: elas parecem ter existido apenas no imaginário popular como uma velha louca por feitiços enigmáticos, surgidas na esteira de uma época dominada por medos, quando qualquer manifestação diversa ou mesmo a crença na inexistência de bruxas da forma retratada pelas autoridades clericais era implacavelmente perseguida pela Igreja.
A feitiçaria já era citada desde os primeiros séculos de nossa era. Autores como o filósofo grego Lúcio Apuleio (123-170) fazia alusão a uma criatura que se apresentava em forma de coruja (Hécate) que na verdade era uma forma descendente de certas mulheres que voavam de madrugada, ávidas de carne e sangue humano.
Para os intelectuais, estes acontecimentos não passavam do imaginário popular, sonhos, pesadelos e, assim, recusavam-se a admitir a existência de bruxas. Porém, entre muitos povos não era assim: os éditos dos francos salianos falavam da Estrige como se ela existisse de fato. Os penitenciais atestavam a crença nessas mulheres luxuriosas. No início do século XI, Burcardo, o bispo de Worms, pedia aos padres que fizessem perguntas às penitentes no intuito de descobrir se eram seguidoras de Satã, (…) se tinham o poder de matar com armas invisíveis cristãos batizados (…) Se sim, quarenta dias de jejum e sete anos de penitências.
Até ao século XIII a Igreja não condenava severamente esse tipo de crendice. Mas nos século XIV e XV, o conceito de práticas mágicas, heresias e bruxarias se confundiam no julgo popular graças à ignorância. Eram, em geral, mulheres as acusadas. Hereges, cátaros e templários foram violentamente condenados pela Inquisição, tomando a vez aos judeus e muçulmanos, que eram os principais alvos da primeira inquisição (século XIII). Curiosamente, foi exatamente a partir da primeira inquisição que a iconografia cristã passou a representar o "Arcanjo Decaído" não mais como um arcanjo, mas com a aparência de deuses pagãos, como Pã e Cernunnos. Tal fato levou, séculos após, à suposição de que bruxas eram adoradoras do demônio, o que não faz sentido, uma vez que a figura do demônio faz parte do dogma cristão, não pertencendo às crenças pagãs e nem existindo personagem de caráter equivalente ao diabo em qualquer panteão pagão. 

       

O uso alternativo do nome Lúcifer para designar o mal encarnado, na visão cristã, agravou a ignorância a respeito do culta das bruxas, uma vez que o nome Lúcifer, pela raiz latina, representa portador/fabricante da luz (Lux Ferre), inescapável semelhança ao mito grego de Prometeu, que roubou o fogo dos céus para trazê-lo aos homens.

Perseguição às bruxas.

O movimento de repressão à bruxaria, iniciado na Idade Média, alcançou maior intensidade no século XV para, na segunda metade do século XVII, ter diminuída sua chama: o número de processos de feitiçaria no norte da França aumentou de 8, no século XV, para 13 na primeira metade do século XVI, e 23 na segunda metade, chegando a 16 na primeira metade do século XVII, diminuindo para 3 na segunda metade daquele século e para um único no seguinte. (Claude Gauvard - membro do Institut Universitaire de France).
Em 1233 o Papa Gregório IX admitiu a existência do sabbat e esbat. O Papa João XXII, em 1326, autorizou a perseguição às bruxas sob o disfarce de heresia. O Concílio de Basileia (1431-1449) apelava à supressão de todos os males que pareciam arruinar a Igreja.
Uma psicose se instalou. Comunidades do centro-oeste da França acusavam seus membros de feitiçarias. Na Aquitânia (1453) uma epidemia provocou muitas mortes que foram imputadas às mulheres da região, de preferência as muito magras e feias. Presas, submetidas a interrogatórios e torturadas, algumas acabavam por confessar seus crimes contra as crianças, e condenadas à fogueira pelo conselheiro municipal. As que não confessavam eram, muitas vezes, linchadas e queimadas pela multidão, irritada com a falta de condenação.
Os tratados demonológicos e os processos de feitiçaria se multiplicaram, por volta de 1430, marcando uma nova fase da história pré-iluminista, de trágicas dimensões. Em 1484 o Papa Inocêncio VIII promulgou a bula Summis desiderantes affectibus, confirmando a existência da bruxaria. Em 1484 a publicação do Malleus maleficarum ("Martelo das Bruxas") orientou a caça às bruxas com ainda maior violência que obras anteriores, associando heresia e magia à feitiçaria. A Inquisição, instituída para combater a heresia, agravou a turba de seguidores inspirados por Satã. Havia, ainda, um componente sexista. Os bruxos existiam, mas eram as mulheres, sobretudo, que iam queimadas nas fogueiras medievais.

 A perseguição aos acusados de bruxaria durou mais de 300 anos

  

1428

Na cidade de Valais, na Suíça, acontece o primeiro julgamento coletivo de pessoas acusadas como bruxas. Não se conhecem detalhes dos processos ou da quantidade de acusados e condenados, pois os registros foram na maior parte destruídos.

1692

Na cidade de Salem, nos EUA, 150 pessoas são presas sob acusação de bruxaria, depois que algumas meninas alegaram ter sido enfeitiçadas. Um tribunal especial é estabelecido para julgar o caso. Dezenove pessoas são condenadas à morte e enforcadas.

1793

Embora a data e o local sejam bastante controversos, a última execução por ordem judicial de suspeitas de serem bruxas na Europa parece ter acontecido na Polônia - duas mulheres foram queimadas na fogueira.

1586

Publicação do livro O Martelo das Bruxas, escrito por dois frades dominicanos. Por possuir valor legal e religioso (o livro era aceito por católicos e protestantes), a obra serviu nos dois séculos seguintes como manual para identificar e eliminar bruxas.

Feiticeiras Humanas

Bruxas da água e feiticeiras lâmias são humanas apenas em parte, mas cada tipo de feiticeira totalmente humana pode ser dividido em quatro categorias gerais:

* As Benevolentes: Mulheres sábias que têm um grande conhecimento de ervas e poções, algumas são parteiras, outras, curandeiras e salvam muitas vidas, elas servem à luz e a remuneração é pequena, se os clientes forem pobres, costumam trabalhar em troca de nada. São mulheres confiáveis, que não foram corrompidas e estão sempre prontas a ajudar.

* As falsamente Acusadas: Pobres mulheres perseguidas por caçadores de bruxas, geralmente vítimas de fofocas maliciosas, muitas vezes existe conspirações entre caçadores e aldeões para condená-las por um motivo ou outro, como se apossarem de sua casa e seus pertences.

* As Malevolentes: Feiticeiras que obtêm seus poderes das trevas e visam apenas seus interesses, sem considerar as consequências para outras pessoas, causando o mal propositadamente. Algumas servem diretamente ao Diabo, outras agem de acordo á própria vontade. Possuem grande poder e habilidade, a feitiçaria é praticada para a sobrevivência, num sentido mais abrangente, reinos inteiros podem surgir ou decair por conta do capricho de uma feiticeira poderosa.

* As Inconscientes: Bruxas que podem passar toda vida sem perceber o próprio potencial, isso nunca acontece quando há um Coven responsável por ela, que rapidamente a identifica e a força a desenvolver suas habilidades para o bem do clã. Em algumas aldeias distantes era comum as habilidades pular duas ou três gerações quando era manifestada em uma criança que não tinha qualquer consciência alguma de seu poder. Muitas vezes este potencial era revelado durante uma crise, como quando sua vida ou a vida de algum ente querido era ameaçada.

                                   Feiticeiras Celtas

                                   

Bruxas, sobretudo, das regiões da Irlanda, algumas vezes chamada de Ilha Esmeralda, por causa dos pastos verdes e exuberantes, uma terra misteriosa, frequentemente envolta por névoa. Pouco se sabe sobre essas feiticeiras celtas, além do fato de venerarem a Deusa Antiga Morrigan e de agirem sozinhas e não pertencerem á clãs. As bruxas celtas formavam alianças temporárias com magos de bodes da região, que, as usavam como assassinas para matar seus inimigos.

                                       Feiticeiras Lâmias

                                 

A primeira Lâmia foi uma feiticeira poderosa e de grande beleza. Ela amava Zeus, o deus dos deuses antigos, que já era casado com a deusa Hera. Por imprudência a Lâmia concebeu filhos de Zeus. Ao descobrir isso, em uma cólera movida por ciúmes, Hera matou todas as infelizes crianças, menos uma. Movida pela dor, a Lâmia começou a matar crianças por toda parte, e os córregos e rios se tornaram vermelhos com seu sangue. O ar estremecia com os gritos dos pais enlouquecidos. Por fim os deuses a puniram e alteraram sua forma, de modo que a parte inferior do corpo fosse sinuosa e tivesse escamas como as de uma serpente.
Assim modificada, ela voltou suas atenções para os homens jovens, ela os atraía para uma clareira na floresta, mostrando somente a bela cabeça e os ombros acima da grama verde e exuberante. Depois de seduzi-los para que se aproximassem, enrolava bem apertado a parte inferior do corpo ao redor da vítima e retirava o ar do corpo impotente, à medida que a boca se alimentava em seu pescoço, até drenar a última gota de sangue.
Mais tarde, a Lâmia teve um amante chamado Chaemog, uma espécie de aranha que habitava as cavernas mais profundas da Terra. Ela concebeu trigêmeas e, estas foram as primeiras feiticeiras lâmias.
                                                                       Chaemog

Em seu décimo terceiro aniversário, as três discutiram com a mãe e, após uma briga terrível, cortaram seus membros e fizeram seu corpo em pedaços. As lâmias deram cada um dos pedaços do corpo da mãe, incluindo o coração, a uma vara de javalis selvagens. As três feiticeiras lâmias atingiram a idade adulta e se tornaram temidas. Eram criaturas com uma vida muito longa e, por meio do processo de partenogênese ( sem necessidade de um macho ), cada uma deu á luz alguns filhos. Ao longo de séculos, a raça de feiticeiras lâmias começou a evoluir e os padrões de acasalamento se modificaram. Aquelas que conviviam com os homens assumiram características humanas e, algumas vezes, deram à luz híbridos, as que evitaram a companhia de seres humanos mantiveram a forma original e continuaram a te filhos sem pais.
As feiticeiras lâmias podem ser classificadas como ferinas ou domésticas. As primeiras mantêm a forma das originais, das trigêmeas que saíram do útero da Lâmia. Na forma ferina, a maioria se move nas quatro patas, tem garras afiadas e bebe o sangue de seres humanos e animais. Elas usam magia do sangue e podem chamar as vítimas á sua presença e mantê-las cativas assim como um furão hipnotiza um coelho. Sua terra natal é a Grécia, mas frequentemente, espalham-se muito além das fronteiras.


As que são classificadas como domésticas têm aparência humana, a não ser por uma fileira de escamas verdes e amarelas que percorre o comprimento de sua espinha. Elas também usam a magia do sangue, mas multiplicaram-ma com a magia dos ossos; algumas até usam familiares.


As feiticeiras lâmias mudam de forma lentamente, aquelas que se associam aos seres humanos, aos poucos, assumem a forma de uma mulher. O oposto também é verdadeiro, amarrada em uma cova ou, de alguma maneira, afastada da comunicação com as pessoas, uma feiticeira lâmia doméstica, aos poucos, retorna á forma ferina.
Algumas feiticeiras lâmias, chamadas vaengir, também tem asas, podem voar por distâncias curtas e atacam as vitimas no ar. Elas são relativamente raras e parecem condenadas á extinção.
Lâmias híbridas assumem muitas formas, as que nascem de pais humanos nunca são totalmente humanas nem totalmente lâmias.

Feiticeiras da Água

Essas feiticeiras são muito mais animais que humanas, e praticamente perderam a capacidade de falar, vivem em pântanos, rios, canais e fossos, ao contrário das feiticeiras humanas, têm a capacidade de atravessar a água corrente, no entanto, não podem usar espelhos, nem se comunicar nem espiar os outros. Um nome que costuma ser dado às feiticeiras da água é Dentes Verdes, por causa do limo verde que, algumas vezes, se forma sobre os lábios e os dentes delas. Com frequência os pais avisam os filhos para ficarem longe de todos os locais onde pode haver Dentes Verdes à espreita. Seus narizes são pontudos e não tem carne, e os caninos são compridos feito presas imensas, elas fisgam a presa usando os indicadores com garras afiadas como navalhas, seu objetivo sempre é rasgar a garganta, é quase impossível escapar, pois as feiticeiras da água são muito fortes, arrastam a vítima para o pântano ou para a água e drenam seu sangue enquanto elas se afogam.

Morwena

A mais velha e poderosa de todas as feiticeiras da água é Morwena, ela pode ter mais de mil anos, seu pai é o Maligno, sua mãe, uma feiticeira que habita as cavernas mais úmidas e profundas da Terra. Além de todos os atributos de uma feiticeira da água comum, ela tem um olho cheio de sangue com o qual consegue paralisar sua vítima, mas, seu poder tem limitações, esse olho somente pode ser utilizado contra uma pessoa de cada vez, ela também, conserva sua força e, quando não o esta usando, prende as pálpebras com um pedaço de osso afiado, a Morwena também não pode se afstar muito de seu elemento vital, brejo e água ou sua força começa a diminuir. Existe um livro de Bill Arkwright que fala sobre ela.

Feiticeiras Romenas

Duas coisas distinguem essas feiticeiras; a capacidade de projetar a própria alma para longe do corpo durante o sono, se reunindo com outras almas em vales sombrios, assumindo a forma de pequenas esferas de luz bruxuleante que se movem juntas no ritmo de uma dança. Esses covens desencarnados nem sempre tem treze feiticeiras, que é o número costumeiro em todo o lugar, mas elas sempre estão em números ímpares, e a maior parte costuma dançar em grupos de sete, nove ou onze. A segunda capacidade dessas feiticeiras é dominar seres humanos que são atraídos por esses orbes luminosos, quando a dança termina, eles morrem, em seguida, as feiticeiras absorvem lentamente sua vitalidade.
Feiticeiras romenas usam magia anímica, isso significa que ao contrário da magia dos ossos e do sangue, essas bruxas retiram a essência vital de suas vítimas e a usam juntamente com rituais e encantamentos para acumular poder das trevas.
As feiticeiras romenas cultuam Siscoi, o deus antigo romeno, e tem poder para traze-lo até nosso mundo através de um portal à meia-noite, embora, ele possa ficar apenas até ao amanhecer. Elas também formam alianças com strigoi e strigoica, os demônios vampiros, e podem controlar os elementais da Transilvânia, conhecidos como moroi, como um auxílio para drenar a força vital dos seres humanos.
O poder da magia negra obtido é usado sobretudo para: invocar o deus vampiro, Siscoi, das trevas, matar seus inimigos, prever o futuro, controlar os seres humanos que vivem no território que escolheram e acumular riquezas.
As feiticeiras romenas são muito ricas e vivem sozinhas em habitações grandes e isoladas, não formam clãs, e somente se encontram quando enviam suas almas para se unirem temporariamente nos covens.

                                                Covens

                                              

Um coven é formado por treze feiticeiras que se reúnem para praticar magia negra, normalmente, em festas especiais como Candlemas ( 2 de fevereiro ), Noite de Walpurgis ( 30 de abril ), Lammas ( 1º de agosto ) e Halloween ( 31 de outubro ).
Os covens se reúnem à meia-noite nessas festas e, de vez em quando, ao retirar poder da adulação de seus adoradores, o Malígno se materializa brevemente para aceitar obediência e conferir poder das trevas.

                                        Poderes das Bruxas


Magia Anímica

Esse tipo de poder também é praticado pela categoria dos magos, conhecidos como xamãs, mas quem mais as praticam são as feiticeiras romenas, elas se alimentam do animus, a essência vital de uma criatura, não é a alma, é a vitalidade e energia que anima o corpo e a mente. Elas não tiram o sangue, mas retiram o animus diretamente pela força da vontade e de encantamentos, algumas vezes, durantes semanas ou meses. O corpo da vítima torna-se cinzento e enrugado, e murcha até a pele se assemelhar a um pergaminho seco sobre ossos frágeis. Algumas vezes, em estágios posteriores, a vítima parece morta, mas ainda caminha, respira e seu coração bate sem força, mas seus olhos não enxergam e ela não pode falar, nesse estágio, a morte esta muito próxima. Ocasionalmente, quando sete ou mais feiticeiras estão reunidas, a vítima cai morta em segundos, mais uma vez a retirado do animuis é acompanhada pela força de vontade e dos encantamentos. As feiticeiras romenas nunca anotam os feitiços, eles são decorados e passados de geração em geração.

Magia do Sangue

Esse é o tipo mais fundamental de magia praticada pelas feiticeiras, elas podem evoluir para níveis mais elevados de magia dos ossos ou magia familiar, mas todas começam nesse estágio e continuam a usá-la de vez em quando, durante suas vidas. O sangue esta presente em rituais, principalmente, na época dos maiores sabás , beber quantidades abundantes de sangue de crianças aumenta a potência da magia negra, ela intensifica a cristalomancia e as maldições, e as últimas são usadas para causar a morte de inimigos à distancia .

Magia dos Ossos

Esse nível de magia esta um nível acima da magia do sangue, ossos de animais podem ser usados, mas ossos humanos, em especial, os do polegares, são os mais valiosos. Os ossos dos polegares de um sétimo filho de um sétimo filho são o maior premio de todos. Um dos usos mais conhecidos dessa magia, é criar um cemitério de ossos, um local mortal para capturar descuidados. Depois de beber o sangue espremido dos polegares da vítimas ainda vivas, a feiticeira invoca as trevas por meio de encantamentos, corta os ossos dos polegares e os enterra no centro do terreno. Quando alguém perambula pelo cemitério de ossos, os próprios ossos se tornam muito pesados e a pessoa fica amarrada no lugar, o resultado é a lenta inanição.

Magia Elemental

                      

Em seu nível mais fundamental, essa forma de magia costuma ser praticada por feiticeiras novatas que são treinadas em um clã ou por feiticeiras inconscientes , que frequentam locais solitários onde se sentem em sintonia com a natureza. Com frequência, essas últimas percebem uma presença próxima, desconhecido para elas, é um espírito elemental emergente, que se alimenta e cresce  graças ao contato com a mente humana curiosa. Ao se concentrar no resultado que quer, a novata feiticeira malevolente pode usar o poder do elemental para desejar o mal. O elemental fará a vontade dela e exercerá seu poder sobre a pobre vítima escolhida. A morte é uma consequência rara de tal parceria malvada, mas são comuns os terrores noturnos, a saúde abalada e as infestações de piolhos.
Usada por praticantes hábeis e experientes , a magia elemental é muito poderosa. Elementais totalmente desenvolvidos, como barghests e mori, são usados como guardiões e assassinos. Os últimos, em particular, são uma ameaça mortal na Romênia onde, sob controle de demônios, possuem ursos e atacam as vítimas determinadas com fúria terrível.

Magia Familiar

É a mais poderosa das três categorias de magia usada por feiticeiras, embora suas praticantes também possam usar, de vez em quando, magia do sangue e dos ossos. A magia desse tipo tem um potencial terrível e tremendo. A feiticeira amarra uma criatura à sua vontade, primeiramente, alimentando o familiar escolhido com o próprio sangue. Quando ele esta amarrado á ela, o sangue das vítimas pode ser substituído, a criatura efetivamente se torna uma extensão do corpo da feiticeira, é como se ela pudesse separar sua mão e fazê-la agir à distância A criatura se torna seus olhos e seus ouvidos e as possibilidades proporcionadas por essa magia terrível são inúmeras e variadas, dependendo do tipo de criatura que a feiticeira escolhe como seu familiar. Com frequência, as feiticeiras tem mais de um, e cada um deles serve para um objetivo diferente. Um gato pode ser usado para espionar um feiticeira inimiga, arrancar os olhos dela ou até matar seu filho ao sentar-se sobre o rosto da criança e sufocá-la enquanto dorme.
Morcegos e pássaros têm a vantagem de voar e permitem à feiticeira procurar vítimas e inimigos, normalmente, ela prefere pássaros noturnos, como as corujas e os pássaros -cadáveres. Gatos, em especial os pretos,  são provavelmente os familiares mais populares e muitas feiticeiras os escolhem por causa da natureza felina, eles são rápidos e esquivos, mas também cruéis, brincam com a presa antes de devorá-las.
As serpentes também são comuns, sobretudo pela sua habilidade para matar. Sapos são os familiares menos perigosos e costumam ser usados por feiticeiras isoladas muito velhas, no entanto são os familiares favoritos de feiticeiras da água, bem adaptados ao terreno pantanoso em que habitam, e, de sua pele, escorre um veneno perigoso.
Finalmente, há os familiares de ordem superior, entidades como demônios que são considerados perigosos e poderosos demais para serem usados como familiares, apenas as feiticeiras muito fortes ousam tentar isso e algumas conseguem.


By Stela Bagwell

Fontes; Wikipédia e O Bestiário de John Gregory, o Caça-Feitiços